sexta-feira, agosto 29, 2008

A MÁQUINA DO TEMPO

A Máquina do Tempo
de Clara
congelou-a
naquele momento

que existia
Clara
e o tempo
e mais nada
ou
existia todo o resto
menos Clara
e o tempo

(e a máquina)

Clara me encarava
intocável
indestrutível
Clara me olhava
com aquela cara
de que vai permanecer assim
a minha vida inteira

Sentada à Máquina do Tempo
em vertiginosa viagem
rumo ao futuro
Clara me via a vida
em um segundo

E passaram-se anos
antes que eu notasse
que ela piscava os olhos
de vez em quando

Clara
a estátua
rumo a um futuro só dela
Clara
viajando
para daqui a mil anos
em um instante

Clara
Como que presa ao dia
Em que sentou na máquina
Ela viajando mais rápida
que a luz
e a mim encarando
congelada

Parece um paradoxo isso
mas sabe de uma coisa?
É a cara dela.

Bárbara Nunes (2008)

sexta-feira, agosto 22, 2008

poeminha sem querer

a pele dela
tinha aquele cheiro
de azeite
extravirgemde olivia
das menininhas que
ainda hoje
têm vinte anos de idade

Bárbara Nunes (2008)