BAGUNÇA - é a idéia principal. Literatura, caricaturas, desenhos, crônicas. Tanto coisas minhas, quanto uma seleção de coisas outras. Manoel de Barros, Adília Lopes, Virgínia Woof, Maiakovisk, Ray Bradbury e, claro, Bárbara Nunes. De tudo um pouco. Se alguém se interessar.
quarta-feira, dezembro 30, 2009
há naquela criança
pelos cachos loiros
pelos olhos verdes
pela pele queimada de sol
pelo sorriso estampado no rosto de anjo de michelangelo ou alejadinho
que só daqui
de trás da penumbra fria do meu quarto encharcado de umidade
cigarro e noite
é possível ver
PARADOXALMENTE
como espremeria
os cravos
minhoquinhas gordas
cheias de idéias
saiam-lhe pelos ouvidos
atraindo peixes voadores
já bastante espertos
que observavam todo esse movimento
ao longe
em silêncio
quinta-feira, dezembro 24, 2009
quarta-feira, dezembro 23, 2009
O MARQUÊS DE CHAMILLY
MULHER AO ESPELHO
CENA
terça-feira, dezembro 22, 2009
A FÉ E AS MONTANHAS
segunda-feira, dezembro 21, 2009
PARA CASOS DE EMERGÊNCIA
meus algozes me ajudam tanto
que sempre tenho um ou dois
guardados na mesinha de cabeceira
domingo, dezembro 06, 2009
domingo, novembro 29, 2009
A Ovelha Negra
Foi fuzilada.
Um século depois, o rebanho arrependido lhe levantou uma estátua eqüestre que ficou muito bem no parque.
Assim, sucessivamente, cada vez que apareciam ovelhas negras eram rapidamente passadas pelas armas para que as futuras gerações de ovelhas comuns e vulgares pudessem se exercitar também na escultura.
Augusto Monterrosso
in: A Ovelha Negra e outras fábulas
Editora Record
domingo, novembro 01, 2009
crepúsculo
Anoitece
com a escuridão se desfazem das trevas diárias
um tom azul escuro preenche as faltas
delinea as curvas existenciais de um poeta sem inspiração
com a noite envolvendo o mundo
até dor de barriga vira tema de poesia
abstrata
ainda que seja
e o pobre poeta sem talento
refastela-se da sua solidão:
coitados dos que
vivem sem ter com quem contar
e, mais ainda,
coitados daqueles que,
como eu,
nada têm a contar.
Rápida despedida
Olá.
O dia chuvoso, o frio e uma terrível dor de cabeça me fizeram começar esta carta. E agora que comecei, vamos até o fim.
Como você tem passado?
Nao, não responda.
Na verdade realmente não me importa.
Como você tem passado não motivou a carta, ou os pensamentos. ou a dor de cabeça.
Te escrevo simplesmente para dar adeus.
Adeus por quê?, você poderia bem perguntar.
Nos sentamos ali outro dia, tomamos um café. Depois outro.
Falamos. Você me trouxe em casa.
Eu agradeci sorrindo. Combinamos de nos ver outra vez qualquer hora.
E eu, de repente, escrevo dando adeus.
Pois é por isso mesmo.
Enquanto tomávamos o café e quando pedimos outro. E quando nos levantamos e eu me ofereci a carona. E quando nos despedimos apressadamente. Em nenhum desses momentos você notou nada de errado. Nada de estranho. E é por isso mesmo que agora te escrevo essa carta de adeus.
Não há motivo melhor para deixar de falar com alguém do que o siléncio que já exista. Entre nós não há mais palavras. Não há mais supresas. Há apenas eu e você, sentada do outro lado da mesa. Há dois ou quatro cafés tomados ainda quentes. Tomados apressadamente. Há o levantar da cadeira, o abrir cada uma um guarda-chuva e o adeus.
Em cada história de cada pessoa há sempre outras pessoas.
As pessoas, como o tempo, passam. As pessoas ocupam nosso tempo. Pessoas que passam não devem ter mais tempo. Nosso. A gastar.
Por isso, sem nenhum motivo maior, estou escrevendo para dizer que o tempo pra nós acabou.
Não me escreva nem releia esta carta.
Ela pertence ao passado.
O passado não existe.
Nem eu. Nem você.